Zahar

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Entrevista: Celso Castro

20 de Janeiro de 2009
Como foi o seu envolvimento e o de Renato Lemos com o Diário de Bernardina? O projeto de doutorado dos dois já estava relacionado à obra, não?
Deparei-me com o diário durante minha pesquisa para a tese de doutorado, posteriormente publicada pela Zahar com o título de Os militares e a República. O diário foi muito importante para o cruzamento de informações com outras fontes sobre as semanas que antecederam o golpe republicano. No caso do Renato, ele era funcionário do IPHAN e trabalhava no Museu, já conhecendo portanto o diário, que também utilizou como fonte em seu doutorado. Para ambos, o diário não era o tema central de pesquisa, mas um documento importante pelas informações que trazia. No entanto, por muitos anos alimentamos o desejo de publicar o diário de Bernardina.

Qual a importância do documento hoje? Mais do que revelar o acontecimento de um ângulo inusitado, mostra o cotidiano das mulheres e de uma família no período?
Ele revela um olhar inusitado sobre um acontecimento importante da história brasileira – o diário de uma jovem de 16 anos, cujo pai e cuja casa se vêem no epicentro da conspiração contra a monarquia e do início do regime republicano. Além disso, permite um olhar sobre a vida familiar e sobre o cotidiano das mulheres da época. Nesse sentido, o diário possui um interesse duplo, numa rara conjunção entre vida cotidiana e eventos extraordinários.

Como foi a confecção das notas que acompanham a obra?
Renato e eu redigimos as notas baseados principalmente nas pesquisas que fizemos para nossos doutorados, porém tivemos também que contar com o auxílio de assistentes de pesquisa para buscar outras informações. Creio que, ao final, as notas e a introdução que escrevemos não só ajudam a compreender passagens do diário, como fornecem uma contextualização histórica que ajuda o leitor a avaliar melhor esse precioso documento.

A obra ainda foi enriquecida com recortes de jornal e fotos dos componentes da família. Como foi a pesquisa de material? O acervo do Museu Casa de Benjamin Constant foi essencial para a confecção da obra? 
As imagens são, em sua grande maioria, do acervo do próprio Museu. Vale destacar que todo o acervo documental do Museu Casa de Benjamin Constante está organizado e aberto à consulta. Além disso, o local, em Santa Teresa, é muito bonito e merece uma visita.
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