Zahar

Blog da editora

Entrevista: André Telles

05 de Dezembro de 2008
Qual a sua relação e a de Rodrigo Lacerda (responsável, junto com André Telles, pela tradução, notas e apresentação da edição brasileira) com O Conde de Monte Cristo?
Uma relação de velhos amigos: lemos o romance na adolescência e desde então ele assombra nossos sonhos literários e editoriais.

A tradução foi feita a partir de qual versão?
Várias: partimos da edição em 6 volumes publicada pela Calmann-Lévy (que reproduz basicamente o texto publicado em folhetim pelo autor) para "fabricar um copião", que depois foi trabalhado e cotejado com edições mais recentes e anotadas por especialistas (Pléiade, Folio e Bouquins).

A editora Zahar costuma publicar obras comentadas, mas essa é a primeira vez que as notas são feitas no Brasil e não traduzidas. Como foi o processo de confecção de notas? 
As notas foram elaboradas ao longo da tradução e das diversas revisões. Elas consistem basicamente de: informações sobre os fatos históricos que compõem o pano de fundo do romance; dados sobre personalidades mencionadas; tradução das locuções estrangeiras; fontes das citações; indicações de discrepâncias e "cochilos" do autor (explicáveis pela extensão da obra); meras curiosidades.

Esse foi um projeto apresentado à editora? Há planos de novos projetos como esse?
Já existia uma atmosfera bastante receptiva às obras do Dumas na editora. Afinal, a Zahar já tinha publicado três livros do autor: Grande dicionário de culináriatexto Memórias gastronômicas de todos os tempos e Napoleão, uma biografia literária. A direção da editora também adora o Conde. Só faltavam dois malucos para traduzir suas cerca de 1.400 páginas. Para mais detalhes sobre a edição e tradução do livro, recomendo a leitura da Apresentação à edição brasileira, escrita pelo Rodrigo e intitulada "A grande ficção e o bom gosto" (para ler, clique em trecho, na página do livro). Quanto a novos projetos, com certeza não faltam e seria uma satisfação realizá-los com a Zahar.
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